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Maria de Lourdes

Maria de Lourdes da Silva Oliveira, minha avó paterna, é uma mulher negra, de cabelos lisos com leves ondulações, olhos castanhos e doces, tem um sinal perto da boca, que particularmente, sempre achei muito bonito, tem mais ou menos 1,50m de altura, é muito vaidosa e adora usar batom vermelho e perfumes. ​Nasceu na Serra da Bananeira, próximo a Baturité - CE, em 6 de maio de 1954. Filha de Francisco Miguel da Silva e Sebastiana Almeida da Silva, infelizmente perdeu a mãe ainda criança, aos 6 anos, quando ficou aos cuidados de seu pai e sua avó. O pai se casou novamente e após isso, ela, com 9 anos de idade, e seus irmãos saíram de casa.Os irmãos “se espalharam pelo mundo” e ela passou a morar com pessoas conhecidas da família.Conta que foi com eles que aprendeu a lavar roupa, o que mais tarde se tornaria uma das suas profissões, além de cozinhar bem. Aos 16 anos se mudou para Fortaleza, junto dessas pessoas. Fortaleza, seu novo lar era no centro da cidade, na rua Tereza Cristina, onde conheceu meu avô, João de Deus. Sua juventude foi vivida ao entorno do Centro, principalmente no Clube Santa Cruz, conhecido pelos forrós que duravam a noite inteira. Meus avós gostavam muito de sair pra dançar e, ao raiar o dia, iam curtir as praias do Pirambú, bairro que fica do lado. Aos 19 anos se casou, em um vestido rosa claro, vestido esse que ela se refere sempre com muito carinho. Nessa época, já carregava sua primeira filha no ventre. Depois de se casar, foi morar junto do meu avô, de favor, em uma casa cedida por um amigo dele, no bairro Canindezinho, localizado na periferia de Fortaleza, bem afastado de onde viviam antes. Ali outras crianças nasceram e foram criadas, mais três filhos. Depois do Canindezinho, eles se mudaram para o bairro Autran Nunes, que também é um bairro periférico de Fortaleza, e no qual permanecem até hoje.A história da minha avó Dona Maria Lourdes é marcada por muita luta. Desde muito jovem, teve que trabalhar pela sua sobrevivência, se separou muito jovem dos irmãos, teve que “se virar”. Por muito tempo, até o início da sua velhice, era lavadeira de roupas. As pessoas do bairro enviavam suas roupas para a casa dela e ela cuidadosamente lavava e engomava. Eu sinto até hoje o cheiro do amaciante e do ferro passando as roupas. Hoje em dia ela é aposentada, mas ainda trabalha muito, principalmente nos serviços de cuidado de casa. Cuidou de mim e das minhas primas quando éramos crianças, para nossos pais conseguirem trabalhar. Desde criança sou acostumada com os chás que ela faz e amo a sobrecoxa cozida, que ela separa pra mim com muito carinho toda vez que cozinha frango.Maria de Lourdes é mãe de quatro filhos e avó de seis netos, uma mulher calma, que guarda dentro de si muito conhecimento, mas, ainda sim, tem uma certa dificuldade de lembrar da sua própria história com detalhes. Isso sempre me gera uma reflexão e até uma certa agonia, de não poder conhecer tão a fundo essa mulher tão importante na minha construção como pessoa.

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