
A namoradeira
Dona Graça sempre foi gaiata e, quando o assunto é passado, ela não economiza gargalhadas. É só perguntar sobre a juventude que ela puxa o ar e já começa a rir antes de falar.
Conta, entre uma risada e outra, que quando era nova, vestia "roupa de homem" e saía por aí, cheia de si, disfarçada de rapaz. Diz que fazia isso só pra conquistar as meninas, com o charme que era só dela, e conquistava viu?!
Uma das moças era Luzia, moça bonita, que caiu nas graças de Dona Graça. Todos os dias, no mesmo horário, ela ia pro trabalho, que era em um supermercado. Um dia, lá foi ela, Dona Graça, calça larga, camisa abotoada, um sapato maior que o pé, se ofereceu para acompanhar Luzia até onde desse. Gentil, educada, cavalheira.
No outro dia, voltou ao mesmo caminho, mas, dessa vez, sem o disfarce, a cara mais limpa do mundo, de menina traquina. Chegou perto e perguntou: — Cadê teu namorado, Luzia?
Luzia, meio sem graça, disse que nem sabia onde o rapaz morava.
Foi então que Dona Graça abriu o jogo, já naquela gargalhada, disse que não era namorado nenhum:
— Era eu, mulher! — soltou, rindo alto.
Luzia ficou incrédula por um segundo, mas depois soltou o riso junto.
E ali, naquela esquina qualquer, o tal namorado novo foi por água abaixo, mas o riso ficou.
"Avimaria", Luzia, foi mais uma que o "tal rapaz" conquistou.

