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Maria das Graças

Minha avó materna,  Maria das Graças Silva Araújo, é uma mulher negra, mede aproximadamente 1,48m de altura, tem os cabelos curtos, crespos e grisalhos, tem olhos castanhos e um sorriso contagiante. É mãe de cinco filhos, avó de dez netos e bisavó de dois bisnetos. Costureira dedicada e cozinheira de mão cheia, também é dona da melhor risada do mundo.

Por alguma razão, ela não gosta de ser chamada de “vó” e considera quase um crime quando algum dos netos a chama assim. Prefere ser chamada de “mãinha”. Quando perguntam o motivo, responde que acha feio ser chamada de vó e que o certo mesmo é manhinha. Tem uma personalidade de pavio meio curto, mas é muito gaiata, uma característica que, felizmente, minha mãe e eu herdamos.

Nasceu em 21 de junho de 1952, na cidade de Frecheirinha, perto de Sobral, Tianguá e Ubatuba, no interior do Ceará. Teve uma infância marcada pela simplicidade. Morava em uma casa coberta por palha e trabalhava desde muito nova na roça, colhendo algodão, arroz e feijão. Também lavou roupas para ajudar em casa. Mas desde criança já demonstrava a profissão que ia exercer: a da costura. Dona Graça é costureira e há mais de 40 anos vive só disso. Ela mesma conta que, ainda pequena, pegava dinheiro escondido dos pais para comprar tecido e confeccionar roupas à mão para suas bonecas. Essa “brincadeira” rende frutos  até hoje. Continua trabalhando como costureira em sua casa, onde tem seu quarto de  costura para receber seus clientes. Uma de suas memórias mais felizes, segundo ela, é o dia em que conseguiu comprar sua primeira máquina de costura, uma bem simples. Com o tempo, foi juntando dinheiro e comprando outros modelos.

Aos 17 anos, saiu da casa dos pais para se casar com Valdo Martins, com quem teve seus filhos. Foi mãe pela primeira vez aos 19 anos. Construiu sua casa em Frecheirinha, onde viveu até 1992. Nesse ano, veio para Fortaleza, acompanhando um de seus filhos, que estava prestes a se casar. Ao chegar na capital, Dona Graça, desenrolada como é, não demorou a procurar uma casa para comprar. Pouco tempo depois, toda a família veio: o marido Valdo Martins e os demais filhos, incluindo minha mãe, Ana Márcia Silva Araújo. A família ficou no bairro Autran Nunes, na periferia de Fortaleza, praticamente às margens do Rio Maranguapinho. Atualmente, apenas minha mãe e mãinha continuam morando nesse bairro. Meu painho (avô materno) Valdo Martins, faleceu, e os outros filhos se espalharam pelos cantos da cidade.

Ela fala com orgulho da sua história e memórias. Apesar de na época ser casada, criou os filhos quase que sozinha. Hoje, se sente abençoada por Deus por viver com fartura. Diz com frequência que “não tem miséria com nada”, e que tudo o que é dela está sempre disponível pra ser dividido. Essa generosidade se reflete nos pratos que prepara, especialmente na panelada, prato típico do Nordeste, que costuma fazer em datas especiais e comemorações. Não tenho muitas lembranças da infância relacionadas à culinária dela, mas fico muito feliz por hoje poder apreciar as delícias que manhinha prepara, sempre com muita fartura e carinho.

Falando em memórias de infância com ela, não tem como  esquecer o dia em que me perguntaram o que eu queria ser quando crescesse. Muito animada, respondi: “EU QUELO SER CUTULEILA!”, enquanto dava pulinhos, em seguida, sem querer, acabei derrubando as caixas de som dela. Não me tornei costureira, como a Milena de três anos talvez quisesse,  mas é uma honra poder me formar como comunicadora social e soprar, com afeto aos quatro ventos, as histórias das minhas avós.

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