
Gracinha e o pé de serra
Na juventude, Dona Maria das Graças trabalhava muito. Era o dia inteiro no batente, sempre trabalhou pra ter suas "coisinhas". Mas quando a semana terminava e dava uma brecha, ela arrumava um jeito de aproveitar. Gostava de um forrózinho no pé da serra, daqueles bem animados, no meio dos matos, com sanfona, poeira subindo do chão de terra.
Vixi, como a mãe era rígida! Gracinha pedia pra ir na festa e a mãe não deixava. Logo ela inventava uma grande história, de que haveria um enterro, logo no pé de serra, e queria ir junto da cumade Edite. Vixi! A mãe não deixava. Pedia com carinho, de novo, pra pelo menos dormir na casa da cumade Edite. A mãe deixava.
Dormir? Que dormir que nada, iam as duas, escondidas, pro forró no pé de serra, passavam a noite inteira dançando "só na gafieira", pra voltar na manhã seguinte, como se nada tivesse acontecido.
Ai como ela ri quando fala das suas aventuras, eu bem que queria estar lá!

Esta memória possui áudio, clique no play para ouvir. Sentada em sua cadeira, no quarto de costura, Dona Graça conta uma memória sobre sua juventude.

